segunda-feira, 8 de junho de 2009

A importância de uma postura ativa

O Espiritismo não possui representantes oficiais, não existem na Doutrina Espírita Padres, Pastores, Bispos, Poderes centrais ou reguladores, no máximo os órgãos de unificação que não exercem poder de regulação mas apenas um trabalho de integração, sugerindo as melhores práticas nos centros e instituições Espíritas espalhados pelo Brasil. Então quem pode representar a Doutrina Espírita perante a sociedade ? quem a defende e regula ? como fazer para evitar as alterações, deturpações, degenerações e má interpretações tão comuns ao comportamento de muitos que se dizem integrantes do Kardecismo ? As respostas são simples, os reais representantes da Doutrina Espírita somos nós mesmos, nós que freqüentamos o centro, que participamos das tarefas, que nos matriculamos nos cursos básicos, mediúnicos, de aprendizes do evangelho, nas mocidades espíritas, nós que participamos das campanhas de assistência social, da desobsessão, trabalhamos aplicando passes, enfim, nós que fazemos a "Casa Espírita", nós somos os reais representantes da Doutrina Espírita perante a sociedade.

Sendo assim para que possamos exercer esta responsabilidade devemos estar preparados e dispostos a adotar uma postura ativa, uma postura de militantes na causa da Doutrina, devemos "vestir a camisa" e não apenas nos limitar ao nosso trabalho dentro do centro, somos espíritas a todo momento, em casa, na rua, no ambiente de trabalho, nas conversas com o vizinho ou na fila do banco, e para que possamos realmente adotar esta postura é necessário estudo, preparação, disciplina, no exame e análise das Obras Básicas da Codificação e no controle e vigília constante do nosso comportamento, dando acima de tudo o exemplo do proceder.

O exemplo, a coragem, o conhecimento, o estudo, e a austeridade na defesa de nossos preceitos é o que nos habilita a sermos legítimos defensores e representantes do Espiritismo, adotando sempre a atitude ativa da observação e controle, procurando sempre identificar as situações em que indivíduos mal preparados ou mesmos mal intencionados estejam denegrindo ou deformando o verdadeiro Espiritismo Kardecista no Brasil e no mundo. Segundo Allan Kardec "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pelo esforço que empreende em dominar as suas más tendências", sendo assim este esforço passa necessariamente pela disciplina, pela luta no conhecimento de nós mesmos e no estudo da Doutrina. Estudar, estudar e estudar, para que possamos estar preparados para defender, divulgar e praticar o Espiritismo.

Quando falamos de coragem estamos nos referindo a postura de assumir nossa posição como Espíritas, seja em casa, na via pública, no trabalho ou mesmo na nossa roda de amigos e conhecidos, ser Espírita não é crime nem vergonha, devemos ser sinceros em nossa opção religiosa, devemos dizer SOU ESPÍRITA todas as vezes que formos indagados sobre nossa crença, isto é autenticidade, é segurança, é solidez na convicção religiosa adotada. A coragem também é importante no momento de discordar, não devemos aceitar tudo, sempre que algo estiver fora da lógica Doutrinária devemos protestas, defender mesmo, porque se não o fizermos isso no momento exato aquele pequeno ato, aquela pequena alteração ou má interpretação acabará se espalhando e se transformando em mais uma forma de desequilíbrio do verdadeiro Espiritismo.

Vejamos um exemplo, em determinada Casa Espírita um "Dirigente" Doutrinário achou de introduzir nas orientações doutrinárias oferecidas pela casa a análise do Horóscopo dos freqüentadores e pasmem, todos aceitaram calados e sem protesto a este absurdo. Não temos nada contra nenhuma crença, não condenamos nenhum tipo de prática religiosa ou mística, mas não existe lógica, não existe necessidade, não há possibilidade de aceitar a introdução de preceitos alienígenas dentro do Espiritismo. Muitos não aceitam, mas em vez de ficar com comentários de canto de parede sobre o absurdo do horóscopo na orientação doutrinária porque não enfrentar o problema de frente ? porque não se dirigir à diretoria da casa, procurando a defesa da Doutrina, procurando o protesto, o questionamento, a defesa do Espiritismo ? em nome de uma pseudo defesa da paz e harmonia interna do centro devemos ficar calados ? acredito que não !

Outro exemplo: Determinado "Espírita" estava debatendo com amigos no clube sobre questões relativas a atualidade quando se viu diante de comentários ofensivos e deturpados sobre o Espiritismo, este nosso "confrade" ficou calado, aceitou tudo de cabeça baixa, sem coragem de se dizer Espírita, sem coragem de assumir sua postura, se omitindo, se escondendo, se anulando, quando muitas vezes se inflamaria e se defenderia por uma ofensa contra seu "time do coração" ou pela sua opção política, será que isto seria a atitude correta de nós que escolhemos abraçar a Doutrina Espírita ?

Todo Espírita verdadeiro e sincero tem o dever de rejeitar toda deformação das bases doutrinárias e dos preceitos básicos do Espiritismo, recusar as "misturas", os conceitos místicos e "alienígenas" que estão levando o Espiritismo a se distanciar casa vez mais de sua essência. Sabemos que a Doutrina Espírita ainda não está fechada, o Próprio Kardec nos disse que ele não tinha falado a última palavra, podemos sim aceitar complementos principalmente os que nos são oferecidos pela moderna ciência e pelas orientações dos espíritos superiores mas sempre devemos examinar rigidamente se estes complementos estão de acordo com as bases doutrinárias. Em todos estes anos, desde a publicação de O Livro dos Espíritos, tivemos várias obras que vieram adicionar ao Espiritismo mais conhecimentos, como por exemplo podemos citar as obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, mas sabemos que as mesmas estão rigidamente enquadradas dentro da base doutrinária e por isso são comprovadamente aceitas. Devemos ser rígidos e preferir rejeitar 10 verdades que assumir uma mentira, principalmente no que diz respeito à nossa religião.

Portanto, é neste momento de transformações que devemos levantar nossas bandeiras, sejamos todos nós batalhadores pela melhora da humanidade contribuindo com nosso esforço pessoal, no estudo prática e DEFESA da Doutrina Espírita verdadeira, nos transformando em legítimos representantes da mesma, na adoção da atitude ativa e atuante perante nossa sociedade. Sejamos ativos ! sejamos atuantes ! sejamos verdadeiros !

Muita paz a todos;

Weber Negromonte Martins

4 comentários:

  1. Concordo plenamente com o Autor, pois a condição de ser espírita deve sempre ser precedida pela vontade concreta de sentir-se espírita em todos os momentos, infelizmente inúmeros irmãos que se afirmam espíritas têm receio de se mostrarem espíritas perante a sociedade que é hipócrita. Entretanto,como as opiniões podem ser meramente subjetivas e pode ser que a minha o seja. Há também a possibilidade de que quem afirme ser espírita e não assume a condição de espírita seja porque realmente não o vivencie a própria condição espírita. Ser espírita é, vivenciar a doutrina procurando não ser santo, porque a condição de ser puro depnderá de inúmeras reencarnações vivenciadas a título de experiências que valem para o arquétipo humano. Ser espírita é corrigir-se sem medos e/ou sem hipocrisia perpassando por um critério de auto-aprendizado constante que busca o equilíbrio e a busca do proprio Eu.

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  2. Fernando Antonio de Barros Lins20 de junho de 2009 14:21

    A Condição de ser espírita deve,antes de tudo ser antecedida por posturas éticas, não santas, que é impossível, mas priorizar atitudes no cotidiano que dignifiquem a própria condição do espírita, pois o espírita não o é somente na casa espírita, mas em qualquer ocasião,em qualquer circunstância, em qualquer situação,pois a postura espírita será avaliada por nós mesmos através do nosso proceder diário.

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  3. O mais importante é praticar. É claro que a teoria nos auxilia bastante, mas a prática na conduta do bem é essencial.

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  4. Fernando Antonio de Barros Lins2 de julho de 2009 12:09

    Preliminarmente, antes de falar sobre a postura ativa perante a Casa Espírita, quero desculpar-me pelos possíveis erros ortográficos que deixam o texto sem um nexo ortográfico. Em comentário anterior,escrevi a palavra "enventar" em verdade, a palavra certa é "inventar". Sobre a postura ativa na Casa Espírita, somente quero salientar sobre o cotidiano de todos nós, que, sem dúvida mostra o que somos e no que podemos e/ou possamos melhorar em nível de conduta espírita.

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